Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

... coisas do Sherpas!!!...

... comentários sobre tudo, sobre nada... imagens diversas, o que aprecio, críticas e aplausos, entre outras coisas mais!!!...

... coisas do Sherpas!!!...

... comentários sobre tudo, sobre nada... imagens diversas, o que aprecio, críticas e aplausos, entre outras coisas mais!!!...

23
Nov08

... a frase!!!...

sherpas

 

 

DA BOA OU MÁ CRIAÇÃO


Nuno Brederode Santos
Jurista - brederode@clix.pt

"Eu não acredito em reformas, quando se está em democracia": eis a frase que antecedeu e contextualizou o verdadeiro detonador da escandaleira. E este foi: "Até não sei se a certa altura não é bom haver seis meses sem democracia, mete-se tudo na ordem e depois então venha a democracia." Manuela Ferreira Leite falou estes dez segundos e, durante três dias, a balbúrdia das indignações chutou para canto os remansos da razão. Indignaram-se à esquerda com o apelo à suspensão da democracia.
... de má memória... ainda "cativa" quem diz, quem sente!!!...
Aproveitou o CDS para também se indignar um bocadinho. Indignaram-se o secretário-geral e o líder parlamentar do PSD com a indignação de todos os indignados. Sempre achei que a indignação é um pedregulho atravessado no caminho da inteligência. Mas o facto é que ela foi arvorada em direito e eu sou pró: se a criação de um direito não vier prejudicar outros mais importantes, sou sempre a favor. Mas uma coisa é tê-lo e outra usá-lo. O direito à indignação deve ser usado com grande e sábia parcimónia, senão só atrapalha quem o exerce. Eu gostaria até de reservá-lo para os seis meses sem democracia.
... eloquentes, bem assentes... deformaram muitas mentes!!!...
... in http://www.google.com.br/search?sourceid=navclient&hl=pt-BR&ie=UTF-8&rlz=1T4GGIH_pt-BRPT278PT278&q=fotos+da+ditadura+portuguesa

É óbvio que aquela segunda frase não tem a mais pequena graça. E quem viu as imagens televisivas, reparou que, aparte três ou quatro sorrisos amarelos da mais generosa cerimónia, a sala não riu, antes se conteve e arrefeceu por dentro. Não tanto pelo que ouviram, mas por logo lhe adivinharem as consequências. Dizerem-nos que foi ironia é tentar impor-nos um dogma de fé. E demonstra que o não foi, porque, se o foi, não tem de se explicar. A ironia mede- -se pelos resultados. Como um grito mudo ou a visão das trevas, uma ironia falhada só existe enquanto liberdade literária. A ironia é uma arte do subtil, uma filigrana de sentimentos e razão. Ninguém é obrigado a fazê--la e é prudente não tentar. Mas também é óbvio que a - apesar de tudo - oradora não propôs seis meses de suspensão à democracia.
... uma das vítimias... o Cunhal, da polícia  de Estado em DITADURA!!!...
.... in http://agualisa6.blogs.sapo.pt/413750.html?thread=652342

É bem pior o que foi menos criticado, ou seja, a frase contextualizadora: "Não acredito em reformas, quando se está em democracia." Porque também esta deve ser contextualizada no quadro próprio, que é o currículo da pessoa. MFL governou várias vezes e foi a segunda figura de um Governo. Foi a governante autoritária que todos recordamos.
... ainda há, quem sinta alguma relutância... em usar um simples cravo vermelho!!!...
Mas foi uma governante de gestão, não de reformas. Impôs-nos tudo para o combate ao défice e nada conseguiu. Não ousou tocar na administração pública. Não anunciou nem tentou qualquer reforma educativa. Não custa nada admitir que genuinamente não acredite em reformas em democracia. E não a vou pregar à cruz de uma convicção que é livre. Pode é um eleitorado que acredita na absoluta necessidade de reformas entender que assim não se justifica apostar nela.
... POVO de "brandos costumes" que... permites!!!...
... in http://www.museu-emigrantes.org/Lavoura_caes.htm

Mas o mais digno de atenção, por mais revelador, foi o mais singelo: essa visão do mundo, da vida e da espécie que vem embrulhada na ideia de que, em democracia ou ditadura, "se está". Pois, nós bem sabemos. Mas é uma abordagem que sulca ondas melindrosas. Porque pressupõe distância e alteridade. A democracia não se vive e frui, como a ditadura não se sofre. Numa e noutra, está-se. Como quem diz: a gente nasce e logo vê. Logo vê o modelo de organização social e política em que nos foi dado viver. Paridos, olhamos em volta: se há liberdade, melhor, mas, se não há, a gente governa-se. Porque isso da liberdade, ou falta dela, é um dado. É um adereço rígido da própria Criação, entendida esta como tudo o que está - ou seja, tudo o que sempre foi, ligeiramente alterado pelos poucos menos e mais que a humanidade, laboriosamente, lá foi conseguindo introduzir. É contingência, é circunstância, e nada podemos (ou nos cumpre) fazer contra o que nos transcende e formata.
... conduzidos e albardados... tanto agora, como dantes!!!...
Como já aqui escrevi, este capitulacionismo moral é maioritário em qualquer democracia acabada de instituir. E subsiste em qualquer democracia fresca de 30 anos. Porque, sem ele, a democracia - que pressupõe a maioria - não poderia existir. Ele molda o espírito dessa amarga e omissiva maioria com que os ditadores governaram, ainda que o hajam feito contra ela também. Mas, integrando um pacto histórico com a minoria que quis e soube resistir, faz parte do regime, com todos os direitos de cidade. Claro que tudo isto vai deixar de ser problema: os sexagenários de hoje - que tiveram 30 anos ou mais para se escolherem antes do 25 de Abril - são a última geração cujo está-se é revelador. E sempre sujeito ao normal, sereno e necessário contencioso das ideias. |

   ... in DN!!!...

 

   ... tal e qual!!!... Quando se nasce "torto"... tarde ou nunca se endireita, dizem!!!... Enfim!!!... Sherpas!!!...

 

... à portuguesa!!!...

 

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

Links

Os meus links

Arquivo

    1. 2019
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2018
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2017
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2016
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2015
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2014
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2013
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2012
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2011
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2010
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2009
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2008
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2007
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2006
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D