Segunda-feira, 13 de Abril de 2009

... com o Brederode porque... com ele, "m´entendo"!!!...

Debalde se procuram novidades em tudo o que mexe à nossa volta. Por mim, suspeito sempre que as manchetes engordam na razão inversa do potencial da notícia.

Talvez, por isso, o número de mortos no terramoto italiano cresça de dia para dia, mas quase sempre embrulhado (ou diluído) em questões menores. Como a de Berlusconi - que nunca foi my cup of tea - ter recusado o apoio internacional. A meu ver, fê-lo com razão (que é um contratempo que acontece até aos piores).

   Ainda o sismo

 

... in http://dn.sapo.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=1199390&seccao=Nuno%20Brederode%20Santos&tag=Opini%E3o%20-%20Em%20Foco

 

Se um país tiver meios para acudir às situações de catástrofe com uso exclusivo dos seus próprios recursos, poupa-se a uma infinidade de problemas de coordenação no terreno (até porque o zelo assistencialista estrangeiro é muitas vezes mais "marketing" para consumo próprio do que ajuda operacional efectiva).

 

Claro que a justificação de que "a Itália é um país orgulhoso, um país rico" é um desastre político que se veio juntar ao desastre natural.

Primeiro, porque é muito pouco "afluente": só proclamam o orgulho os deprimidos, só invocam a riqueza os que a não têm. (Mas os Estados Unidos, mesmo já com Obama, tiveram de o fazer…).

 

Segundo, porque é perigoso: nenhum país, por mais rico, pode repor satisfatoriamente a situação anterior. Nenhum bem-estar paga as mortes; e, sendo o bicho homem o que é, haverá, em breve, reivindicações materiais para compensar as perdas afectivas.

 

Terceiro, porque é leviano: o Estado, por muito precavido que seja, não tem ainda um levantamento seguro e concreto da extensão dos danos e dos custos, materiais e sociais, que estão associados à tragédia, pelo que convém sempre não ser tão categórico e definitivo na recusa de meios alheios. Enfim, quarto, porque é quase sempre ilusório: de transigência em transigência, o Estado só vai deter-se na reparação dos danos quando tiver ultrapassado largamente a dotação de que podia dispor para o efeito.

 

O que se planeia é o cruzeiro da vida, porque os picos anómalos não são planificáveis nem orçamentáveis (sob pena, aliás, de plano e orçamento deixarem de ser, com razoabilidade estatística, instrumentos úteis). É tudo isto que faz da catástrofe natural um pesadelo para os poderes do dia e uma mina de ouro para todas as oposições: os inevitáveis descontentamentos sociais serão cavalgados, a capacidade instalada de prevenção será questionada, os dispositivos de assistência contestados e os bodes expiatórios exigidos.

 

A fuga às responsabilidades (muitas vezes, de resto, imaginárias) será a estratégia de todos os intervenientes. Governos, regiões, câmaras e juntas de freguesia trocarão entre si a batata quente das culpas, mesmo das que não existem. Porque o Criador não as assume e a população é quem vota. Só que um erro táctico, por muito que prejudique a razão estratégica que serve, não anula o seu bom fundamento. E é contra este que muitas vozes já se ouvem.

 

Também por cá convém ir pensando nisto. Com três eleições sucessivas, o muro que cai sobre a casa, o buraco em que se afunda o automóvel e o lar de idosos que vem abaixo, serão, sempre e necessariamente, objecto do jogo de passa-culpas entre os vários níveis da organização administrativa do Estado ou entre diferentes etnias ou entre partidos rivais. E em escala maior, a seca, o incêndio e a cheia ainda mais severamente exigirão um culpado, porque os povos não aceitam que o Criador possa também destruir. Nós não somos melhores.

 

Por isso, melhor será não lançar mão, para com a Itália, de critérios que aqui - espero bem que perante dramas menores - não iremos poder manter.

Uma nota de circunstância extraída do nosso quintal: a nova investida do Presidente da Associação Nacional de Farmácias gorou-se.

 

"Por uma questão de bom senso", disse o próprio com a razão que lhe falhara ao lançar-se nela, dias antes, "Fez bem em recuar", li na imprensa. Não há como um bom eufemismo para assegurar a elegância verbal. Porque, de facto, o que ele fez foi mal em ter avançado. Infelizmente, esta é só só uma escaramuça na guerra larvar em curso, na qual todos os grupos profissionais envolvidos reivindicam as vantagens, mas enjeitam as responsabilidades.

 

... assim... o escreve!!!... Tal como outros... assim o entendo!!!... Enfim!!!... Sherpas!!!...

 

publicado por sherpas às 08:58
link do post | comentar | favorito
|

.mais sobre mim


. ver perfil

. seguir perfil

. 11 seguidores

.pesquisar

.Maio 2017

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
31

.Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

.posts recentes

. ... sabores!!!...

. ... experimentação!!!...

. ... PIRATAS!!!...

. ... descalçar... as BOTAS...

. ... pérolas!!!...

. ... bocejo!!!...

. ... reprimenda!!!...

. ... heróis e... cavaleiro...

. ... se possível fosse!!!....

. ... TATE!!!...

.arquivos

. Maio 2017

. Abril 2017

. Março 2017

. Fevereiro 2017

. Janeiro 2017

. Dezembro 2016

. Outubro 2016

. Setembro 2016

. Agosto 2016

. Maio 2016

. Abril 2016

. Fevereiro 2016

. Janeiro 2016

. Dezembro 2015

. Novembro 2015

. Agosto 2015

. Junho 2015

. Maio 2015

. Abril 2015

. Março 2015

. Fevereiro 2015

. Janeiro 2015

. Dezembro 2014

. Novembro 2014

. Outubro 2014

. Setembro 2014

. Agosto 2014

. Julho 2014

. Junho 2014

. Maio 2014

. Abril 2014

. Fevereiro 2014

. Janeiro 2014

. Dezembro 2013

. Outubro 2013

. Setembro 2013

. Agosto 2013

. Julho 2013

. Junho 2013

. Maio 2013

. Abril 2013

. Março 2013

. Fevereiro 2013

. Dezembro 2012

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Setembro 2012

. Julho 2012

. Junho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Outubro 2007

. Setembro 2007

. Agosto 2007

. Julho 2007

. Junho 2007

. Maio 2007

. Abril 2007

. Março 2007

. Fevereiro 2007

. Janeiro 2007

. Dezembro 2006

. Novembro 2006

. Outubro 2006

. Setembro 2006

. Agosto 2006

. Junho 2006

. Maio 2006

. Abril 2006

. Março 2006

.favoritos

. ... antes que... a vida, ...

.links

.participar

. participe neste blog

blogs SAPO

.subscrever feeds