Quinta-feira, 26 de Fevereiro de 2009

... caríssimos... juristas!!!...

Depois do Prós e Contras sobre o casamento homossexual, só tenho ouvido piadas e agravos contra juristas. Duas que já li foram: a melhor maneira de matar um debate interessante é convidar um jurista e; qual é a doença que leva os juristas a falar à jurista? Não sou corporativo e por mim estejam à vontade.
Mas, como membro da tribo, há aqui um problema que claramente me interessa: porque é que os juristas são mal-encarados em Portugal? Lutero chamava aos juristas "essas pobres coisas". O que se passa connosco que afugentamos os outros?

... os juristas, pobres COISAS!!!...

Todos os ofícios são risíveis e caricaturáveis. (Pensando bem, nem todos). Uma vez, recebi um mail de um leitor que discordava de algo que eu tinha escrito e acabava a sugerir: "Caríssimo, escreva mais à jurista." Começou logo mal com o "Caríssimo", fórmula muito usada por juristas para mostrar um misto de reverência e desinteresse que me desagrada.
Eu respondi que uma coluna de jornal não é um articulado e que, se eu começasse a escrever "conquanto que" ou "pelo exposto", ia afundar ainda mais a imprensa escrita. E eu gosto demasiado de jornais para isso.

Os portugueses gostam mesmo pouco de juristas. Na verdade, os portugueses abominam juristas. Um estudo de há semanas sobre a confiança dos portugueses em 20 profissões situava os advogados num pobre 15.º lugar. Quanto aos juízes, 13.º. Os portugueses confiam absolutamente nos bombeiros e desconfiam absolutamente dos políticos. Os juristas surgem no fim da lista. É possível que os portugueses acreditem mais num proctologista do que num jurista. Ser jurista é de tal modo achincalhante que à nossa frente figuram os taxistas, os padres e os meteorologistas, três profissões sobejamente conhecidas pelo exactidão. Porquê tamanha desconfiança é um facto que me intriga.

Há a ideia mística de que, de todas as áreas, os juristas são os únicos obrigados profissionalmente a exercer a moralidade em permanência. Um bombeiro tem de saber apagar fogos; um piloto, como conduzir um avião. Só os juristas precisam de ser mais do que apenas competentes. Só os juristas precisam duma virtude inefável a que chamamos justiça.
Esta semana, por exemplo, um tribunal considerou provado que o administrador da Braga-Parques, Domingos Névoa, tentou corromper José Sá Fernandes com 200 mil euros. Mas o mesmo tribunal só lhe aplicou uma pena de 5 mil euros. Decisão juridicamente correcta?
Pode ser que seja. Mas a contradição entre factos provados e a pena imposta é absurda, de tão óbvia. Sempre que se fala na crise da justiça, pensa-se na crise da administração da justiça.
Mas há a crise dos juristas, da prática jurídica e do imenso formalismo que reina nos nossos tribunais. Enquanto for assim, continuaremos a fazer tristes figuras. |
... pois... caríssimos juristas, a JUSTIÇA à PORTUGUESA!!!... Sherpas!!!...

  

publicado por sherpas às 07:56
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