Sexta-feira, 31 de Outubro de 2008

... de cavalo, p´ra burro... é uma chatice!!!...

ISLÂNDIA FECHADA PARA OBRAS


HELENA TECEDEIRO
Optimismo. Zangados com o Governo que privatizou os bancos e com os banqueiros que deixaram o país à beira da falência, os islandeses garantem que vão superar a crise e sair reforçados
... Islândia à venda... no eBay, por cerca de "um euro"!!!...

Habitantes da capital convictos de que vão sair da crise

Quem chega a Reiquejavique e já folheou um guia da cidade sabe que o que logo capta o olhar na paisagem da capital mais a norte do mundo é a Hallgrimskirka. Com a sua forma de foguetão, a igreja luterana tornou-se símbolo da imponência e excentricidade de um país que nos últimos 15 anos teve um progresso tal que atingiu o primeiro lugar no índice de desenvolvimento humano da ONU. Mas agora, a Hallgrimskirka está coberta de andaimes. Uma reconstrução que irá durar até ao Natal de 2009 e que a Islândia parece ter de imitar depois da crise financeira que obrigou à nacionalização dos seus três principais bancos e que ameaça lançar muitos trabalhadores para o desemprego.
... Reykjavik!!!...

"Disseram-nos que estava tudo bem e de repente chegou a crise", diz Eyglo Arnarsdóttir com um ar incrédulo. Editora do site da Iceland Review, esta rapariga loura admite que o desemprego é a maior preocupação neste momento: "As pessoas perderam as poupanças, temem perder o emprego e os apartamentos." Mas o sentimento dominante para quem estava habituado a viver "uma vida de luxo" é a ira. "As pessoas estão zangadas", explica Eyglo enquanto bebe um gole do café na redacção sobreaquecida da revista, com a neve lá fora a rodopiar ao sabor do vento gelado. E os alvos do descontentamento são vários: o Governo de Geir Haarde por ter privatizado os bancos, mas também, e sobretudo, os próprios banqueiros.

... Islândia!!!...

Abrigada na barraquinha branca da Elding, uma empresa que organiza passeios para ver as baleias, bem no porto de Reiquejavique, Eva María Porarinsdóttir concorda com Eyglo. "Já perdi muito dinheiro em acções", confessa a gerente da Elding com aquele sorriso resignado que aparece nos rostos dos islandeses quando ouvem a palavra "crise". "Estamos desiludidos e zangados", acrescenta com um encolher dos ombros largos cobertos por uma fina camisola preta. Mas, a fazer jus à sua fama de povo mais feliz do mundo, os islandeses parecem estar optimistas. "Acho que vai ficar tudo bem", exclama Eva María agora com um sorriso aberto. Endireita-se, alisa o longo cabelo loiríssimo e aponta para o computador: "Nós estamos no ramo certo. O turismo pode beneficiar desta crise."
... na bancarrota!!!...

Antes da crise, a Islândia era um dos países mais caros do mundo. Mas com a coroa a ter perdido metade do valor no último ano, muitos turistas aproveitam para visitar a ilha que, apesar de ficar mais perto da Gronelândia do que da Europa se considera bem europeia. É o caso de Kaj Christiensen. Este dinamarquês que confessa os "40 e tal anos", sem mais, acaba de sair do supermercado Bónus, em plena Laugavegur, uma das principais artérias comerciais no centro de Reiquejavique. É com um saco amarelo na mão, com um porco cor-de-rosa sempre associado no imaginário popular à poupança, que Kaj explica como há muitos anos vem à Islândia. Mas no avião que na véspera o trouxe, reparou que "havia muito mais turistas". Afinal "as coisas para nós estão a metade do preço".

... in http://www.europe-cities.com/en/783/iceland/reykjavik/gallery/

Mas se para os estrangeiros, a crise é uma benesse, para os islandeses o aumento dos preços já se faz sentir. "Saí agora do hospital e encontrei tudo muito mais caro", explica Olöf Helga Junnarsdóttir. Escondida dentro de um casaco branco, com um gorro de lã a condizer, a secretária sai do Bónus com o filho adolescente. "A carne sobretudo aumentou muito", confessa, para logo acrescentar: "Mas não falta comida como a imprensa estrangeira anda a dizer."

... in http://photos.staypoland.com/00/00/44/53/42/344x258.jpg

A maior dificuldade parece ser para quem contraiu empréstimos em moeda estrangeira. É que se as prestações em coroas aumentaram, em euros ou dólares duplicaram. Acabado de sair do imponente edifício do Lansbanki, um dos três bancos que o Estado islandês privatizou, Gunnar Adalsteinsson vem com o semblante carregado. "Fui pedir um empréstimo. Mas é quase impossível conseguir", explica o empregado de construção civil, cujas calças manchadas revelam a actividade. Apesar de garantir que a empresa de montagem de telhados onde trabalha é sólida, Gunnar admite estar preocupado. "Mais bancos vão cair, as empresas também." E a crise já começou a bater à porta deste pai de família. "A roupa, a comida. Está tudo mais caro", suspira. E acrescenta: "Agora é a sobrevivência dos mais fortes."

... in http://photos.staypoland.com/00/00/43/36/77/345x228.jpg

Eyglo concorda: "Eu e o meu namorado comprámos um apartamento há um ano, mas estamos cada vez mais longe de ser donos. Estamos a deitar dinheiro num buraco negro." Com um emprego certo, a jornalista admite ser uma privilegiada, mas nem todos os membros da sua família têm a mesma sorte. "O meu tio importa produtos de limpeza de uma empresa sueca. Tem dinheiro mas não pode pagar aos fornecedores porque o banco não aceita coroas", admite.

... in http://photos.staypoland.com/00/00/43/36/86/345x258.jpg

Apanhados num impasse, os islandeses acreditam que o futuro será melhor. Eyglo não tem dúvidas: "Tudo isto pode ser positivo. Temos de aprender com os erros. E preciso aproveitar que temos jovens altamente educados para ter novas ideias e concentrar-nos na inovação noutras áreas."

serviço especial DN/JN

"A crise que despedaçou a economia da Islândia, no norte da Europa, pode empurrar o país a solicitar seu ingresso na União Européia (UE). Pesquisa de opinião publicada ontem pelo jornal Frettabladid indica que 68,8% dos islandeses desejam que o país se candidate a ingressar no bloco econômico, hoje formado por 27 nações.
"A nossa credibilidade foi por água abaixo"
... in http://ultimosegundo.ig.com.br/economia/2008/10/28/na_islandia_cresce_apoio_da_populacao_a_entrada_na_ue_2082751.html

Entrevista ADALSTEINN LEIFSSON, PROFESSOR DE ECONOMIA NA UNIV. DE REIQUEJAVIQUE

Quem chega a Reiquejavique não vê grandes sinais da crise. Mas ela existe. Onde é que mais se sente?

Em primeiro lugar, tínhamos três bancos privados que foram nacionalizados. Hoje não há moeda a entrar ou a sair do país. Não temos dinheiro para manter os negócios a funcionar. As empresas que importam, por exemplo, não têm como pagar porque ninguém aceita as coroas.
... in
http://www.joaoleitao.com/viagens/2008/10/17/fotografias-do-porto-de-reiquejavique-fotos-porto-reykjavik-islandia-agosto-2008/?lzkfile=Porto-Reiquejavique-Reykjavik-Islandia-Agosto-2008%2FPorto-Reiquejavique-Reykjavik-Islandia-Agosto-2008+%287%29.jpg

A credibilidade da Islândia está em causa?

A credibilidade da Islândia foi por água abaixo. O Reino Unido não é o único país a pôr restrições aos nossos bancos, mas a verdade é que Londres é um centro financeiro mundial e muitos vão seguir o seu exemplo.

O desemprego é uma ameaça que se aproxima?

Há, sem dúvida, muitas pessoas preocupadas com os empregos. Os casos mais graves são os dos que pediram empréstimos em moeda estrangeira e cujas prestações mensais duplicaram.

No dia-a-dia o que mudou?

Vejo menos trânsito na rua. Tenho um amigo cirurgião que compara a actual situação à de um país em guerra: a população está em choque. A vida continua, mas há medo e fúria contra os políticos e os gestores dos bancos. Só depois virá a aceitação.
... in
http://www.joaoleitao.com/viagens/lazy-k-gallery/Porto-Reiquejavique-Reykjavik-Islandia-Agosto-2008/lazy-k-slides/Paquete-Funchal-Porto-Reiquejavique-Reykjavik-Islandia-Agosto-2008%20(2).jpg

O que é preciso para passar de uma fase à outra?

É preciso apurar o que aconteceu. Muitas pessoas acham que devíamos recorrer a especialistas estrangeiros, mais isentos. Para nós é difícil construir um novo sistema financeiro. Como académico adito que era muito interessante um pequeno país ter três bancos privados com negócios 15 vezes maiores do que a economia nacional.

O que correu mal?

O Banco Central e o Governo falharam. A economia islandesa era demasiado pequena para apoiar estes bancos numa crise mundial.

A vida de luxo acabou?

Vamos passar a ter comida mais barata nas reuniões familiares. Passámos do foie gras e champanhe para a pizza e Coca Cola. É como quem tem de arrumar a casa depois da festa. Também pode ser divertido. Éramos a nação mais feliz do mundo. Acho que isso não tem necessariamente de mudar. Só precisamos de nos adaptar.
 

Recuperar a imagem da Islândia é a prioridade dos habitantes e políticos?

Queremos mostrar que assumimos a responsabilidade pelas nossas empresas e pelas dívida que estas contraíram. Temos de explicar a situação, as razões e a nossa reacção à crise. Neste momento há quem defenda que não devemos pagar pelas dívidas dos bancos porque não seria justo para os contribuintes serem prejudicados pelos erros cometidos por três empresas. E há quem ache que devemos garantir que os credores vão recuperar o dinheiro. O que implica impostos mais altos que os nossos netos ainda teriam de pagar dentro de muitos anos.
... in DN!!!...
... tal e qual!!!... Sherpas!!!...
publicado por sherpas às 11:32
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