Domingo, 13 de Julho de 2008

... tal e qual... sem melodia!!!...

... de Nuno Berderode Santos, claro!!!...
Um partido que está no poder gosta de estabilidade. É natural. O que está, está, e é exactamente aquilo para que ele foi criado. É para isso que ele respira. Ou é isso que ele respira. Mas um partido que está na oposição precisa de estabilidade. Sem ela, não pode conceber, organizar e pôr em prática uma estratégia de "assalto" ao poder, para o qual também ele foi criado. O debate sobre o "estado da Nação", secundado por factos seus contemporâneos, veio precisamente reforçar a ideia comum e geral de que o PSD ainda não está preparado para a estabilidade. Apesar da queda de Menezes. Apesar da desistência de Jardim. Apesar da derrota de Santana.

O debate é o debate, mesmo quando nada tenha a ver com o estado da Nação. O debate é a oportunidade, o estado da Nação é o pretexto de que a oportunidade se serve para poder sê-lo. Por isso, se se acredita que o estado da Nação é mau, a vantagem táctica até é de quem o denuncia. Mas, por isso também, se o que prevalece nas atenções e nos comentários subsequentes é o debate em si mesmo - visto nas suas peripécias retóricas ou teatrais - então a vitória de quem defendeu a cidadela do poder do dia é inequívoca.

Pode dizer-se que Paulo Rangel ainda não está preparado. Ou que ele é um bom tribuno, mas um fraco parlamentar de bancada. Ou que é um bom deputado, mas faltam-lhe alguns requisitos para ser um bom líder de um grupo parlamentar (designadamente, um resultado confortável na sua própria eleição dentro desse grupo, boas condições pessoais para uma boa gestão dos recursos dele e, no mais pessoal dos planos, convicção e autoridade). Mas isso são consequências e os factos explicam-se pelas causas.

Pode dizer-se que ainda ele lutava - e luta - pela sua própria afirmação dentro do grupo e já Santana faltava ao debate; Menezes pedia uma entrevista a Sócrates em defesa do TGV a Norte; Jardim reafirmava a necessidade de uma reavaliação da situação do partido bem antes das eleições de 2009; Marco António Costa anunciava a estratégia autárquica (e a coligação com o CDS) na área da sua distrital, proclamando o seu direito estatutário a nem sequer consultar a direcção de Manuela Ferreira Leite; Rui Rio, o actual número dois, asseverava a indispensabilidade das obras públicas que ao Porto tocam mais directamente; o "derrotado" Mendes Bota esmagava o "vencedor" Macário Correia no Algarve, sujeitando a nova líder do partido à proclamação de que a regionalização é o "must" do seu mandato; e Santana, no seu blogue, chamava, sem grandes preocupações de subtileza, a atenção das hostes para o pouco tempo que falta para a formação das listas partidárias. Tudo isto é certo, mas tudo são consequências e os factos explicam-se pelas causas.

Ora o problema é cada vez mais o da recusa do estado-maior de Manuela Ferreira Leite em se ocupar das causas. É uma estratégia de dissimulação. É ignorá-las, varrê-las para debaixo do tapete. Calar propostas, esconder ideias e programas - porque todas elas dividem. Pendurar-se em Cavaco e chegar ao poder na ambiguidade e no vazio, para depois tratar dos males internos e conseguir a coesão.

Este é o mais difícil de todos os caminhos. Porque as oposições internas não se calarão e é delas que, em primeira linha, depende a coesão. Porque os interesses económicos e as aspirações sociais que o partido precisa de mobilizar querem certezas, compromissos de sangue desde já. E porque o Governo já percebeu como é que se estimula a inquietação à volta dessa postura vaga, translúcida e proclamatória (como ficou meridianamente claro na obsessiva insistência de Sócrates em que o PSD diga quais são, em concreto, as obras públicas que estão a ser postas em causa): o maior partido autárquico é um imenso somatório de localismos, cujos interesses se chocam perante qualquer escolha ou decisão.

O general Ulysses Grant - guindado pela bondade da História e a fortuna da Guerra à Presidência dos Estados Unidos - disse, naquele seu jeitinho pouco dado ao chá das cinco, acerca si mesmo: "Só conheço duas melodias. A que é o Yankee Doodle e a que não é." Só que o eleitorado conhece mais e sabe que "a que não é" são todas as outras. E, não sendo o Yankee Doodle, quer saber qual vão tocar. |
... in DN!!!...
 
... uma triste reposição do... passado, com muito recolhimento e apoio do excelso mais excelso do País, na imparcialidade (???...) que o caracteriza, companheiros e amigos influentes, outras gentes tão esquisitas, tão diferentes!!!... Pelo PODER... simplesmente, mente, mente, mente!!!... Sherpas!!!...
... à portuguesa!!!...
publicado por sherpas às 08:05
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